ANGELI

40 anos de Folha

Esta é a primeira charge de Angeli publicada na Folha em 20 de setembro de 1975. Trata da divisão interna do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o único partido de oposição ao governo militar, que deu origem ao atual PMDB.

Angeli foi um dos fundadores do moderno humor gráfico paulistano. Começou na Folha a convite da cartunista Hilde Weber, casada com o jornalista Claudio Abramo, que queria criar o cargo fixo de chargista no jornal.

 

Na década de 70, o jornal carioca Pasquim dava voz a uma oposição bem humorada contra o governo militar. Os primeiros trabalhos de Angeli mostram a influência de Jaguar, Millôr, Henfil e outros cartunistas do Rio.

 

Aos poucos, o cartunista desenvolve um tipo de humor próprio, com a cara de São Paulo. Retrata tipos urbanos em personagens como a libertária Rê Bordosa, o punk Bob Cuspe e os velhos hippies Wood e Stock.

 

O sucesso dos personagens atrai convites para serem usados na venda de produtos. Angeli decide abandoná-los para se dedicar a um trabalho mais experimental.

CHARGES

A observação da sociedade está presente desde os primeiros trabalhos do cartunista. Críticas feitas a quase quatro décadas permanecem surpreendentemente atuais. Em alguns casos, são proféticas. Em charge de 1976, Angeli retrata o general Golbery do Couto e Silva tranquilizando o então presidente militar João Baptista Figueiredo e sugerindo que um partido de oposição poderia ser aceito pela ditadura desde que o civil José Sarney fosse colocado no comando. De fato, Sarney esteve muito próximo do poder nas quatro décadas seguintes.

QUADRINHOS

Em 1983, Angeli deixou de fazer charges para se dedicar exclusivamente às tiras e à revista Chiclete com Banana onde a observação da sociedade e dos tipos urbanos se intensifica. Rê Bordosa, Bob Cuspe, Meia Oito e uma galeria de pelo menos XX personagens retratam a sociedade paulistana pós-abertura política. O sucesso dos personagens atrai convites para usá-los na venda de produtos. Angeli decide abandonar esses personagens para se dedicar a um trabalho mais experimental.

DESENHOS

Assim como abandonou personagens nas tiras, Angeli passou a evitar incluir personalidades políticas famosas em suas charges. Nos últimos anos, vem desenvolvendo um traço influenciado por George Grosz e outros artistas gráficos do expressionismo alemão. Neles, encontra um tom de gravidade que representa o peso da sociedade do século 21. “Eu não poderia desenhar personagens dos anos 80 na realidade de hoje”, diz.

veja quadrinhos e desenhos
na versão desktop

folha.com/angeli-40

TÍTULO

THALES DE MENEZES

DE SÃO PAULO

 

Existem dois "Angelis". Bem, devem existir muitos mais, mas os conhecidos por quem acompanha seus desenhos nessas décadas de Folha são dois: o crítico mordaz, cáustico mesmo, que não perdoa a mediocridade da classe política no que ela tem de mais patético, e o criador de personagens que parecem sair direto das ruas para as tirinhas diárias.

 

Tudo bem, políticos são combustível para humor há muito mais tempo, mas Angeli os trata com uma virulência inteligente e sem freio que trouxe inovação. O cartunista aplicou uma vigilância suprapartidária e implacável nos representantes dessa classe. A piada pode vir de qualquer lado, da esquerda ou da direita.

Mas, mais do que na charge certeira que tantas vezes estampou a segunda página do jornal, a grande revolução de Angeli está nas tirinhas, com seus "tipinhos inúteis", como o próprio criador gosta de chamá-los.

 

Não é tão difícil fazer humor com um pato vestindo roupa de marinheiro ou um gato gordo e debochado que pensa ser gente. Eles não têm vínculos com o real. Mais trabalhoso é elencar personagens que pareçam tanto os tipinhos urbanos reais encontrados nas ruas de São Paulo.

 

Sim, porque a fauna de Angeli é fortemente paulistana, no jeito de falar, nos lugares que frequenta e até na animosidade diante dos cariocas. O mundo de Angeli é paulistano, noturno, sem grilos morais, totalmente rock and roll.

 

Que levante a mão aquele que não teve uma namorada tresloucada como a Rê Bordosa, um amigo mala do partidão que lembrasse o Meia Oito ou um colega insuportável como Walter Ego. Entre seus leitores deve ser fácil encontrar filhos e netos de Wood & Stock. Ou os próprios hippies sessentões.

 

Quando descola um pouco da crítica aguda do comportamento e avança em personagens mais exagerados, Angeli é capaz de surpresas absurdamente incríveis. Como os Skrotinhos, a duplinha tão politicamente incorreta quanto nós gostaríamos de ser, se é que já não somos mesmo assim, só falta demonstrar.

 

E, claro, exagero dos exageros, e ainda assim genial: Bob Cuspe! Quando o punk já estava assimilado pelo mainstream, numa época em que até novela global das sete tinha um engraçadinho de cabelo cenoura, Angeli inseriu no cérebro debaixo do moicano de Bob o espírito de revolta que um dia fez sentido na causa punk. Uma cusparada na cara passou a ser a mais simples e universal resposta a todos os medíocres.

 

Bob Cuspe talvez represente de forma exemplar o humor de Angeli. Ele não busca a gargalhada. Parece que ele prefere mesmo a piada contundente, aquela para ser saboreada com sorrisos safados no lugar das risadas.

Eu não sei o que estou procurando. Gasto horas até encontrar um traço, um olhar

Acima, o estúdio que o cartunista usa desde julho de 2015

Edição de arte

coordenação de arte

 

CONTEÚDO

 

Design e programação

 

 

seleção de imagens

 

 

edição de foto

foto

 

edição de vídeo

câmera

pós-produção

Thea Severino

Mario Kanno

 

Marcelo Pliger

 

Marcelo Pliger

Lucas Zimmermann

 

Macelo Pliger

Estúdio Angeli

 

Fábio Marra

Xxxxxxx

 

Xxxxxxx

Xxxxxxx

Xxxxxxx