1964

A nove semanas do golpe, o presidente do Brasil, João Goulart, recebia o presidente da França, Charles de Gaulle, no país. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Lyndon Johnson, afirmava que o fato de a França reconhecer a China comunista inspirava grandes ‘inquietações ao mundo livre’; acompanhe ao lado.

A seis semanas do golpe, o presidente João Goulart anuncia que a negociação para o reescalonamento da dívida brasileira está em fase final. Os EUA dizem ser favoráveis à iniciativa brasileira. Na política interna, o governador da Guanabara (atual RJ), Carlos Lacerda, critica a reforma agrária anunciada por Jango; acompanhe ao lado.

A um pouco mais de um mês do golpe, o presidente João Goulart é criticado por Carlos Lacerda, governador da Guanabara (atual Rio), e o Exército prepara um forte esquema de segurança para proteger o presidente durante o discurso que ele faria em um comício no Estado.

A pouco mais de três semanas para o golpe, o presidente João Goulart realiza um comício no Rio de Janeiro, onde defende reformas de base e anuncia medidas que, segundo ele, seriam um passo inicial para a reforma agrária. É duramente criticado pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que o acusa de “subversivo e estúpido”

A pouco mais de duas semanas do golpe, meio milhão de pessoas vão às ruas de São Paulo na “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”. O movimento, considerado até então a maior manifestação popular já vista no Estado de São Paulo, defende a Constituição, princípios democráticos e o impeachment do presidente João Goulart. A marcha foi feita também no Rio, em 2 de abril de 1964.

Na semana que antecede o golpe, o cenário político brasileiro é tenso. Acontece a ‘Revolta dos Marinheiros’, no Rio, liderada pelo cabo Anselmo, que exaltou as “reformas de base contra a miséria dos explorados do campo, da cidade, dos navios e dos quartéis”. Jango apoia os revoltosos e agrava a crise com os militares, que já planejam a esta altura a tomada do poder.

19.jan.1964

O presidente do Brasil, João Goulart, e do Paraguai, Alfredo Stroessner, se encontram para chegar a um acordo de princípios para a construção da maior hidrelétrica do mundo. O encontro foi realizado em uma fazenda no interior de Mato Grosso.

20.jan.1964

O embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, declara que a regulamentação de remessa de lucros atingirá centenas de firmas norte-americanas.

21.jan.1964

O presidente da UDN, Bilac Pinto, afirma que há uma guerra revolucionária em curso no país e que ela tem o apoio do presidente João Goulart. Jango pede que Bilac comprove a denúncia de que o governo distribui armas a sindicatos.

O presidente dos EUA, Lyndon Johnson, pede ao Congresso um orçamento de defesa de US$ 55,2 bilhões (que equilave hoje a R$ 1,85 bilhões).

22.jan.1964

O general francês Charles de Gaulle aceita o convite do presidente João Goulart para visitar o Brasil. Com isso, a França e o Brasil se reconciliam após o episódio conhecido como Guerra das Lagostas.

O secretário de Segurança da Guanabara (atual Rio de Janeiro), coronel Gustavo Borges, desmente a criação de um serviço antiextremista pelo governo carioca, batizado como Serviço Antiextremista (SAA).

O presidente João Goulart assina decreto exonerando o coronel Paulo Pinto Guedes do cargo de governador de Rondônia. Para substituí-lo, foi nomeado o tenente coronel Abelardo de Alvarenga Mafra.

23.jan.1964

Em cerimônia realizada no Palácio das Laranjeiras (no Rio), o presidente João Goulart, mais os três ministros militares, assinam convênio com a Supra (Superintendência de Reforma Agrária), tendo em vista as desapropriações de terras.

Jango também recebe o vice-governador da Bahia, Orlando Moscoso, que traz um relato do governador baiano Lomanto Júnior sobre a situação das regiões do Estado que foram atingidas pelas enchentes.

24.jan.1964

A Folha informa que o governador Carlos Lacerda está em São Paulo para participar da formatura dos bacharéis em jornalismo da Fundação Cásper Líbero.

25.jan.1964

São Paulo faz 410 anos e o governador do Estado, Ademar de Barros, conduz solenidades pela cidade.

O senador Juscelino Kubitschek esteve em Ribeirão Preto (SP) para receber o título de cidadão ribeirão-pretano e para paraninfar a turma da Faculdade de Ciências Econômicas.

O presidente dos EUA, Lyndon Johnson, afirma que a decisão francesa em reconhecer a China comunista inspira grandes inquietações a todo o mundo livre.

17.fev.1964

A Folha publica que o presidente João Goulart aassinou decreto criando o consulado em Assunção. O Brasil havia acabado de iniciar entendimentos com o Paraguai para o aproveitamento hidrelétrico de Sete Quedas –o projeto resultaria na usina de Itaipu, inaugurada em 1984.

18.fev.1964

O embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, declara que a regulamentação de remessa de lucros atingirá centenas de firmas norte-americanas.

19.fev.1964

Em pronunciamento à nação no programa “A Voz do Brasil”, da Agência Nacional, o presidente João Goulart nuncia que está em fase final a negociação para reescalonar a dívida brasileira. Afirma também que a Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) havia adotado a primeira de uma série de medidas para sanear as finanças internas e assegurar o desenvolvimento. A medida fixa taxas para câmbio em importações de mercadorias e transferências para o exterior, importação de papel de imprensa, trigo, petróleo e derivados, remessas financeiras para pagamento da dívida externa e exportação de café e açúcar.

20.fev.1964

Em nota à imprensa, o embaixador Lincoln Gordon comenta o pronunciamento de João Goulart. Diz que “o governo dos EUA é favorável à iniciativa brasileira de realizar negociações multilaterais com credores sobre questões de dívidas externas e se acha pronto a colaborar”.

O presidente João Goulart participa, na Vila Militar, da cerimônia em memória dos soldados brasileiros mortos na 2ª Guerra Mundial. Em seu discurso, Jango participa, na Vila Militar, da cerimônia em memória dos soldados brasileiros mortos na 2ª Guerra Mundial. Afirma que “o Exército tem a tradição de ter estado em toda a sua vida e em toda a sua história ao lado dos sentimentos legítimos e das aspirações mais sentidas do seu país e do povo brasileiro”. Ao se referir às medidas que vem tomando para o atendimento das reivindicações das Forças Armadas, relativas à melhora dos equipamentos, ao problema habitacional dos militares e o envio ao Congresso de mensagem como novo Código de Vencimentos, Jango diz que “não faltará o apoio decisivo do presidente da República às justas aspirações dos dignos componentes dos quadros das Forças Armadas, no que se refere à reivindicação mais justa e mais humana, que é a de proporcionar aos oficiais e a todos os membros padrões compatíveis com a sua alta dignidade”.

21.fev.1964

O presidente dos EUA, Lyndon Johnson, recebe o presidente do México, Lopes Mateos, na Universidade da Califórnia. Na ocasião, Johnson declarou: “Na América falamos inglês, francês e espanhol. Para nós, todas as línguas são o idioma da liberdade”. E prosseguiu: “Tenho orgulho em ser amigo pessoal do presidente mexicano, o mesmo orgulho que têm os EUA de sua secular amizade com o México.

O governador da Guanabara, atual Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, em evento na Associação dos Contabilistas de Santo André, critica a reforma agrária anunciada pelo governo, dizendo que se trata de uma “reforma reacionária”. Afirma ainda: “Julgando-se um forte, o sr. Goulart é, na verdade, um fraco, dominado por um grupo de assessores comunistas, que são ao mesmo tempo seus porta-vozes e seus mentores. Todo dia a Constituição é violada. A ela se sobrepõe a vontade pessoal do presidente da República, que, por sua vez, é a vontade desse grupo de comunistas”. O governador ainda destaca: “Estamos realmente enfrentando um processo de guerra revolucionária, em que as reformas, em vez de serem feitas, são usadas como instrumento de agitação para lançar os brasileiros contra os brasileiros”.

Ao desembarcar na Guanabara, procedente de Porto Alegre (RS), o deputado federal Leonel Brizola (PTB-GB) é abordado por um homem que lhe conta o drama de um parente que recorrera, inutilmente, ao governo federal para resolver um problema. Em resposta, afirma Brizola: “Esse governo, meu amigo, não é de nada. É igual ao Belo Antônio. Fala muito, mas não é de nada”. Em seguida, falando aos jornalistas, anuncia que o PTD gaúcho de modo algum apoiará a candidatura de Juscelino Kubitschek à Presidência da República.

22.fev.1964

O deputado Leonel Brizola fala a uma rede de rádio no Rio de Janeiro. Ele fez críticas à política econômica do governo federal e ao governador Carlos Lacerda.

O presidente João Goulart assina decreto que regulamenta a divisão de polícia marítima, aérea e de fronteiras. Também assina o decreto que fixa os novos valores do salário mínimo.

24.fev.1964

O embaixador brasileiro José Jobim vai ao Paraguai para iniciar conversas com autoridades daquele país a respeito do aproveitamento hidrelétrico de Sete Quedas –o projeto resultaria na usina de Itaipu, inaugurada em 1984.

No Galeão (RJ), oficiais da Força Aérea e da Marinha recebem do superintendente da Supra (Superintendência de Política Agrária), João Pinheiro Neto, a minuta do decreto dispondo sobre a desapropriação das terras ao longo de ferrovias, rodovias e açudes.

25.fev.1964

O governador Carlos Lacerda proíbe a realização do comício marcado para 13 de março, na praça da República, promovido por líderes sindicais e que deveria contar com a presença do presidente João Goulart.

26.fev.1964

A Folha publica que a diretoria do Banco do Estado de São Paulo apresentou a demissão ao governador Adhemar de Barros.

Um violento conflito impossibilita a realização de um comício promovido pela Frente de Mobilização Popular, em Belo Horizonte, em favor das reformas de base. Mais de 60 pessoas ficaram feridas. O deputado Leonel Brizola foi impedido de entrar no local onde se realizaria o ato.

O presidente dos EUA, Lyndon Johnson, assina projeto de lei de redução de impostos.

27.fev.1964

O almirante José Luís da Silva Júnior, chefe do Estado-Maior da Marinha, determina a prisão por dez dias dos fuzileiros navais presos em Belo Horizonte, que estavam armados de metralhadoras, protegendo o deputado Leonel Brizola, durante os conflitos que impediram a realização do comício promovido pela Frente de Mobilização Popular, na capital mineira.

28.fev.1964

O presidente Lyndon Johnson inicia sua campanha política com um discurso em um banquete do Partido Democrata e ordena que toda a força do FBI investigue os atentados a dinamite contra ferrovia Florida East Coast.

O ministro da Marinha, Sílvio Mota, envia um ofício ao Ministério da Educação (MEC) pedindo explicações sobre a exibição, no auditório do ministério, do filme soviético “O Encouraçado Potemkin”, numa sessão especial para marinheiros e fuzileiros.

O presidente João Goulart reafirma sua disposição de assinar no próximo dia 13 o decreto da Supra (Superintendência de Política Agrária) que permite a desapropriação das terras vizinhas aos eixos rodoferroviários e aos açudes públicos.

1º.mar.1964

Exército prepara um forte esquema de segurança para proteger o presidente João Goulart durante o discurso que ele fará em um comício no dia 13, no Estado da Guanabara (atual RJ).

11.mar.1964

Jango discursa no Arsenal da Marinha, no Rio, onde assina decreto que autoriza o Ministério da Marinha a completar os vencimentos dos servidores que ocupam cargos ou funções análogas às categorias funcionais das autarquias marítimas. Lá fala também sobre o comício do dia 13, que seria realizado no Rio: “O povo em praça pública, no uso de seus direitos legítimos, não é uma ameaça a democracia, assim como as reformas pretendidas pelo governo, que visam reformular velhas estruturas que não atendem mais ao nosso desenvolvimento”. O presidente usou a oportunidade para rebater as várias críticas feitas pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda.

13.mar.1964

No comício do dia 13, Jango fala por 65 minutos. Durante o discurso, ele anuncia a assinatura do decreto de encampação de Capuava, em SP, e de todas as outras refinarias particulares de petróleo. O presidente também confirma ter assinado o decreto da Supra, que, segundo ele, representa apenas um passo inicial para a reforma agrária.

No mesmo comício, o deputado Leonel Brizola preconiza a ideia da formação de um “Congresso popular”, integrado por camponeses, sargentos e oficiais nacionalistas, como a única saída pacífica para o impasse em que se encontra o país. Ele também diz que “não devemos aceitar golpes contra os nossos direitos e liberdades”. “Temos que nos organizar para enfrentar a violência e nos preparar para responder violência com violência”, afirma. Além dessas palavras, Brizola critica a política conciliadora de Jango, afirmando ser necessário que o presidente se rodeie de amigos e organize um governo popular e nacionalista.

14.mar.1964

Em outro comício, na Central do Brasil, o governador da Guanabara (atual Rio), Carlos Lacerda, diz: “Não podemos aceitar a reforma dos incompetentes e dos gatunos, nem a revolução dos traidores”.

Jango assina decreto que tabela, com base no salário mínimo, os aluguéis de imóveis desocupados ou que vierem a vagar. Um dos artigos estabelece que o Comissariado de Defesa da Economia Popular deverá concluir dentro de 90 dias a relação dos imóveis desocupados, para os estudos das providências necessárias à desapropriação por utilidade social.

Carlos Lacerda diz que o discurso feito por Jango na Guanabara (no dia 13) é “subversivo e estúpido” e também afirma que o presidente conta com o apoio dos “comunistas e oportunistas”.

15.mar.1964

Jango encaminha mensagem ao Congresso, na qual sugere uma reforma constitucional ampla, com reforma agrária e universitária, com todos os alistáveis elegíveis (inclusive os analfabetos) e com um plebiscito para apurar a vontade nacional sobre as reformas de base, além do pedido para que o Executivo possa legislar, através de delegação feita pelo Congresso.

Lacerda pede que haja um imediato entendimento entre os candidatos à Presidência, para a defesa das instituições, do Congresso, da Constituição e, acima de tudo, da segurança nacional. Isso, segundo ele, em face dos acontecimentos provocados pela ação comunista, que conta com a cumplicidade do presidente da República.

17.mar.1964

Reunião da comissão organizadora da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, realizada em uma casa, reúne 2.000 pessoas e transforma-se em um movimento em favor da defesa da Constituição, dos princípios democráticos e, também, favorável ao impeachment de João Goulart.

Carlos Lacerda (governador do Estado da Guanabara, atual RJ) chama de “imunda provocação totalitária” a posse de Jab Maia Salgado ao cargo de delegado regional da Divisão de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras do Estado da Guanabara, por determinação do ministro da Justiça, Abelardo Jurema. O governador acusa o governo federal de legislar por portaria e também diz que o mesmo quer controlar a entrada de estrangeiros no país para acelerar a entrada de “técnicos da subversão e da guerra civil”.

Na noite do dia 16, Pinheiro Neto, superintendente da Supra, chega para uma conferência no Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, mas é impedido de entrar devido a uma confusão entre grupos pró e contra o governo federal. O carro de Pinheiro Neto é atacado com pedras, pauladas e bombas, e a polícia dispara tiros de metralhadora para o alto com a finalidade de dispersar o grupo. O superintendente acusa a polícia de SP de não ter garantido sua segurança e acusa o Exército local de omissão.

18.mar.1964

Jango assina, em Bom Jesus de Itabapoana (RJ), contrato para a construção da Usina de Rosal, que suprirá de luz e energia todo o norte fluminense e o sul do Estado do Espírito Santo. Jango aproveita a solenidade para criticar os antirreformistas: “Querem democracia sem o povo”.

Carlos Lacerda envia mensagem aos outros governadores do país afirmando que as propostas de reformas feitas por Jango são um pretexto para deflagrar uma guerra revolucionária no Brasil, com a ideia de alterar a Constituição para dar um novo regime ao país.

Pinheiro Neto, superintendente da Supra, acusa a polícia do governador paulista, Adhemar de Barros, e os “playboys” de SP, “estes cevados com dinheiro do Ibad”, de terem impedido o seu encontro com os estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, quando conferenciaria em favor da reforma agrária proposta por Jango.

19.mar.1964

O governador da Guanabara, Carlos Lacerda, acusa Jango de não querer a realização das eleições de 1965 para perpetuar-se no poder com o apoio dos comunistas.

Meio milhão de pessoas vão às ruas na “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade” (leia mais), da praça da República até a Sé, em São Paulo. Movimento é considerado até então a maior manifestação popular já vista no Estado de SP. A marcha tem contornos políticos, com pessoas pedindo a preservação da Constituição, a manutenção do regime democrático e o impeachment de Jango.

O governador da Guanabara, Carlos Lacerda, diz em um programa de TV que sua vida corre perigo. Ele também acusa Jango de ter transformado o Exército em “guarda pessoal do Partido Comunista”, referindo-se a segurança montada em favor do presidente no comício do último dia 13.

A UDN lança manifesto em defesa da Constituição, que aponta tendências extremistas do governo federal. O documento também pede que “todos estejam patrioticamente unidos na defesa das instituições do país”.

20.mar.1964

Lacerda declara que “SP começa a salvar o Brasil”, referindo-se a “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”. No momento da fala, o governador da Guanabara passava pela praça da Sé, em SP, rumo à Casa Amarela, onde jantou com o senador Assis Chateaubriand e foi agraciado com a “Ordem do Jagunço”, na presença de vários políticos.

O senador Juscelino Kubitschek afirma, de acordo com pesquisa de opinião pública encomendada por ele, que 70% da população brasileira é favorável às reformas de base. Por esse motivo, ele se declara contra a omissão em torno dos problemas que cercam este assunto. Durante a Convenção Nacional do PSD, o senador, quando interpelado pela bancada baiana, afirmou ser um reformista.

Lacerda encontra-se com Adhemar de Barros no Palácio dos Campos Elíseos, em SP. No encontro entre os governadores, o mandatário da Guanabara declara: “Quem ousar tocar na Guanabara estará tocando no Brasil inteiro. E quem tocar em SP não espere que a Guanabara fique indiferente”.

Em Brasília, o deputado federal Leonel Brizola diz que a “Frente Popular” é um programa a ser oferecido a Jango, mas que este não significará nada se não houver um “governo de garra”. Brizola não acredita que o presidente tenha a ousadia necessária para enfrentar os problemas, por isso prefere ficar isolado e livre, segundo ele, “como um corsário, aplaudindo a cada medida concreta tomada”.

Em sua Convenção Nacional, o PSD decide homologar a candidatura de JK à Presidência da República nas eleições 1965.

21.mar.1964

Generais da reserva, em manifesto intitulado “Sentinela, Alerta!”, condenam a atuação do presidente João Goulart à frente da Presidência da República. “Não defende e não cumpre a constituição”, diz trecho do documento.

Lacerda discursa nas cidades paulistas de Rio Preto e Bebedouro. Nos pronunciamentos, ele critica o governo de Jango e fala sobre a subversão comunista no Brasil.

25.mar.1964

Acontece a “Revolta dos Marinheiros”. Dois mil marinheiros, liderados por José Anselmo dos Santos, o “cabo” Anselmo, realizam na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio uma reunião de comemoração do segundo aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, entidade não reconhecida pelo alto escalão das Forças Armadas e, portanto, considerada ilegal. O deputado Leonel Brizola e líderes estudantis participam da solenidade. Anselmo, no discurso de abertura, afirma que a associação luta a favor das “reformas de base e contra a miséria dos explorados do campo, da cidade, dos navios e dos quartéis”.

O ministro Sílvio Mota (Marinha) emite ordem de prisão aos “rebeldes” presentes na reunião, mas todos resistem à ordem.

Mota envia um destacamento de fuzileiros, comandados pelo contra-almirante Cândido Aragão, para executarem as prisões, mas estes, com apoio do comandante, desobedecem e aderem aos revoltosos.

O presidente Jango, solidário aos “rebeldes”, proíbe que tropas invadam o sindicato.

A Associação dos Marinheiros e Fuzileiros declara estar em “luta aberta” contra Mota, que é acusado de desvirtuar as reivindicações da associação e de persegui-la. Os associados querem a renúncia do mandatário da pasta.

Sílvio Mota, contrário às ordens de Jango, pede demissão e acaba substituído pelo almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues.

26.mar.1964

O ministro do Trabalho Amauri Silva faz um acordo com os marinheiros, que, por fim, abandonam a sede do sindicato. Os revoltosos são presos e conduzidos a um quartel em São Cristóvão. Algumas horas depois são libertados, após serem anistiados por Jango, o que provoca várias críticas da alta oficialidade e agrava a crise na área militar.

29.mar.1964

O Clube Naval apresenta ultimato ao novo ministro da Marinha, Paulo Mário da Cunha Rodrigues, exigindo que todos os marinheiros e fuzileiros navais anistiados por Jango sejam punidos de acordo com o Regulamento Disciplinar da Armada, caso contrário nenhum oficial da Marinha retornará ao seu posto, tanto na terra como no mar. Eles querem a anulação da anistia.

30.mar.1964

Em nota oficial, o ministro Paulo Mário da Cunha Rodrigues diz que reexaminará todos os acontecimentos que resultaram na atual crise, com a abertura de três inquéritos.

O senador Juscelino Kubitschek, em entrevista a jornalistas em Belo Horizonte (MG), ressalta a atuação de Jango na crise na Marinha e afirma não haver “possibilidade de golpe”.

Jango discursa no Automóvel Clube, no Rio, para suboficias e sargentos sobre a necessidade de reformas de base (sobretudo agrária, tributária e eleitoral)

31.mar.1964

A partir daqui, acompanhe ‘em tempo real’ na próxima segunda-feira os desdobramentos que resultaram no golpe militar

Todos os personagens

João Goulart

Leonel Brizola

Lincoln Gordon

Lyndon Johnson

Carlos Lacerda

Juscelino Kubitschek

‘Cabo Anselmo’

Amaury Kruel

Olympio Mourão Filho

Castello Branco

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