Armando Ramos Norberto | Histórias de vítimas do novo coronavírus - Equilíbrio e saúde - Folha de S.Paulo

Aqueles que perdemos

Armando Ramos Norberto

Mecânico é a primeira morte entre os metroviários da ativa em São Paulo

foto de Armando Ramos Norberto

Armando Ramos Norberto, 59

mecânico

faleceu em 17.jun.2020

A pandemia fez na quarta (17) sua primeira vítima entre os funcionários da ativa do Metrô de SP. Armando Ramos Norberto, o Armandinho, morreu aos 59 anos, 31 deles passados na companhia.

Mecânico no pátio de manutenção e estacionamento de Itaquera, na ponta leste da linha vermelha, era, segundo os companheiros, uma das grandes lideranças dos metroviários paulistas.

Armando também era figura central na igreja evangélica que frequentava, em Guarulhos, onde atuava como diácono, liderava reuniões de casais e foi padrinho de dezenas de casamentos e festas de debutante.

Churrasqueiro respeitado, era ele que organizava as festas de fim de ano que atraiam centenas de pessoas ao Pátio Itaquera.

O mecânico era filiado ao PCdoB, militante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e diretor sindical por três mandatos. Como membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), liderou as demandas coletivas por equipamentos proteção individual (EPI) e segurança no trabalho, desde antes da pandemia.

Com o novo vírus, exigiu distribuição adequada de máscaras e propôs regimes diferentes de jornada de trabalho para aumentar a segurança. Também sempre cobrava dos colegas o uso correto dos equipamentos.

Armando deu entrada no Hospital São Camilo no dia 6 de junho, com sintomas leves, sentindo-se ofegante e com leve arritmia. A tomografia revelou que 50% dos pulmões já estavam comprometidos.

Na quinta-feira anterior, ele havia recebido o resultado negativo de um exame de sorologia (que indica se já houve contato com o novo coronavírus). Era falso negativo, o teste não captou a presença dos anticorpos contra a doença.

Sua esposa, Claudirce, com quem era casado há mais de 30 anos, havia sido internada com a doença alguns dias antes dele, mas não chegou a ser entubada e teve alta enquanto ele estava internado.

Inicialmente sua saúde parecia evoluir bem, até que piorou, e ele teve de ser entubado. Morreu após 13 dias de internação. Segundo a família, o sindicalista não tinha doença agravante, não fumava e mantinha hábitos saudáveis.

O enterro seguiu os protocolos, com cerimônia rápida, distanciamento e poucos presentes. Na mesma hora, os companheiros mais próximos do Sindicato dos Metroviários de São Paulo fez uma live em sua homenagem, com a participação de seu filho Leonardo nos minutos iniciais.

Nascido em Cornélio Procópio, norte do Paraná, Armandinho chegou a São Paulo com cerca de 20 anos. Na capital paulista encontrou e se casou com a também paranaense Claudirce. Moravam no Jaçanã, bairro da zona norte da cidade, com o filho e a neta.

Armandinho deixa a esposa, dois filhos e três netos.