Os protestos que mudaram Hong Kong - Mundo - Folha de S.Paulo

Território autônomo controlado pela China vive desde junho uma onda protestos pró-democracia; reveja os principais momentos até aqui

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2019, o ano que não terminou em Hong Kong

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Os protestos que mudaram Hong Kong

Os protestos que mudaram Hong Kong

Um projeto de lei de extradição, que permitiria o envio de suspeitos de Hong Kong à China continental para serem julgados, foi o estopim da maior onda de protestos na ex-colônia britânica desde a devolução à Pequim, em 1997. O primeiro grande ato contra o projeto, em 9 de junho, reuniu milhares de pessoas.

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Em reação aos protestos, dizendo-se arrependida e reconhecendo erros de seu governo, a chefe-executiva de Hong Kong, Carrie Lam, adiou indefinidamente o projeto de lei que autorizaria as extradições. A proposta seria um exemplo de maior interferência da China em um território com liberdade de imprensa e jurídica garantida pela lei local.

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Mas o adiamento do projeto não fez os protestos cessarem, tão pouco conteu a ira dos manifestantes. No dia 1º de julho, data do 22º aniversário da devolução de Hong Kong dos britânicos para a China, ativistas invadiram e vandalizaram o Parlamento local. Houve sérios confrontos com a polícia, resultando em 13 oficiais e 54 civis feridos. A líder Carrie Lam condenou a invasão "extremamente violenta" e pediu que a população voltasse à calma.

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Os protestos então entraram em uma nova fase, tornando-se mais violentos. Em 11 de agosto, uma garota foi atingida no olho por uma bala supostamente disparada pela polícia. A imagem da menina deitada no chão com o olho direito sangrando viralizou, e ela se tornou um ícone facilmente reconhecível dos protestos. Para demonstrar solidariedade, ativistas passaram a usar gazes como tapa-olhos e a fazer gestos em solidariedade à garota.

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Diante de protestos cada vez mais agressivos, com confrontos diretos entre a polícia e os manifestantes, a chefe-executiva comunicou a retirada oficial do projeto de lei, no início de setembro. O cancelamento da proposta era uma das principais demandas do movimento. Mas as manifestações, mais uma vez, não cessaram, pois a pauta dos ativistas passou a incluir outras demandas pró-democracia, como uma reforma política que implantaria eleições diretas no território, a investigação de abusos por parte da polícia e a libertação de manifestantes presos.

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A violência não dá sinais de arrefecer. Em outubro, o político pró-Pequim Junius Ho leva uma facada de um homem que se aproximou dele com um buquê de flores na mão. Em 11 de novembro, um dos dias mais violentos dos protestos, um manifestante foi atingido à queima-roupa por um tiro disparado por um policial durante um ato transmitido ao vivo pelo Facebook. Um manifestante contra Pequim ateou fogo em um ativista pró-Pequim, e um terceiro foi atacado com um martelo e um guarda-chuva. O saldo do dia 11 de novembro foi de 99 feridos e 260 presos.

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Em meados de novembro, a polícia de Hong Kong cercou e invadiu a Universidade Politécnica (PolyU) durante a madrugada: 200 manifestantes estavam dentro do prédio. Os que tentavam deixar a instituição eram bloqueados pelas forças de segurança, que jogava bombas de gás lacrimogêneo. Mais de mil pessoas foram detidas, e a polícia apreendeu 4.296 coquetéis molotov e 622 armas. No mesmo dia, uma lei que proibia o uso de máscaras pelos manifestantes é derrubada pela Suprema Corte local.

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Em dezembro, o clima começa a arrefecer. Pela primeira vez desde agosto a Frente Civil dos Direitos Humanos — responsável por manifestações que paralisaram o centro financeiro asiático — obteve permissão das autoridades para organizar um protesto, que reuniu cerca de 800 mil pessoas, segundo a entidade. Ainda houve protestos-relâmpago em shoppings centers no dia 15, mas nada que se comparasse à violência dos meses anteriores.

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